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Trânsito: tragédia persistente, por Ildo Mário Szinvelski*

Artigo
Ildo Mário Szinvelski, diretor geral do DetranRS - Foto: Ascom DetranRS - Download HD (2,91 MB)

Encerramos o ano de 2017 contabilizando 1.705 mortes nessa guerra silenciosa que é o trânsito.  Apesar de todos os esforços dos órgãos de trânsito, foram 25 vítimas a mais do que em 2016, número que deve aumentar nos próximos 30 dias, quando feridos que ainda resistem nos hospitais podem entrar para as estatísticas. Precisamos - não somente lamentar - mas também refletir sobre essa tragédia.

Vidas perdidas, famílias em luto, jovens mutilados, impactos sociais da partida prematura daqueles que são arrancados da vida em plena idade produtiva, pressão na rede de saúde pública e na previdência social. Acidentes de trânsito são tragédias públicas e privadas. Dizem respeito a todos nós. Mesmo diante das dificuldades financeiras, de pessoal, de base legal, os órgãos de trânsito vêm se esforçando para reduzir esses índices. No DetranRS, qualificamos a formação de condutores, aumentamos muito a fiscalização e a punição aos infratores, implantamos tecnologia no sistema de trânsito e trabalhamos para sensibilizar para as condutas de segurança no trânsito.

O Estado vem superando a meta da ONU de reduzir pela metade as mortes no trânsito nesta Década de Ação pela Segurança no Trânsito. Mas a tragédia é persistente. O que precisa ser feito para sensibilizar as pessoas para a hecatombe no trânsito?  Falta conhecimento?  Falta fiscalização? A punição é branda e a criminalização ineficaz? Ou seria a condescendência legal? O certo é que se não podemos isentar o poder público, também não podemos isentar o cidadão. A responsabilidade no trânsito é pessoal, individual e intransferível.  

O Estado não tem o dom miraculoso de impedir todos os atos imprudentes de velocidade, teclar ao celular, deixar de usar o cinto, trafegar com farol desligado, ultrapassar perigosamente, beber antes de dirigir. O trânsito depende das escolhas pessoais de cada um e, se a opção for pelo desrespeito ao outro, lamentavelmente as autoridades e seus agentes vão continuar recolhendo corpos das vias públicas.

Precisamos desconstruir os valores que norteiam nosso comportamento no trânsito, compreendendo que em nossos pequenos gestos e atitudes cotidianas estão verdadeiros atos de civilidade. Romper com a lógica que bem representa o apequenamento da ética e a anestesia dos valores nos tempos atuais é fundamental para darmos fim a essa verdadeira guerra. 

* Diretor-geral do DetranRS

**Publicado originalmente no jornal Correio do Povo em 5/1/18.  


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