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O tempo das cidades, por Ildo Mário Szinvelski*

Artigo
Ildo Mário Szinvelski, diretor-geral do DetranRS - Foto: Alex Rocha/Palácio Piratini - Download HD (2,78 MB)

Quando olharmos do futuro para a arquitetura das nossas cidades, vamos nos perguntar onde estávamos com a cabeça ao construir lugares assim.  A geografia de hoje é resultado da visão de cidades que tínhamos há 40 anos, quando o carro era sinônimo de liberdade. Ao observar os efeitos colaterais dessa cidade que construímos tendo em mente o que queríamos no passado, percebemos que entramos em uma enrascada e não queremos mais viver nela. “A cidade é a mais consistente tentativa do homem de refazer o mundo onde vive de acordo com o desejo de seu coração", disse o sociólogo urbano David Park.

Precisamos, então, fazer um exercício de futurologia para equacionar o desejo de nossos corações com o tempo necessário para se construir cidades.  Num país com população crescendo, uma coisa é certa: a solução não está no transporte individual motorizado. Precisamos planejar nossas cidades para transportar pessoas e não veículos. Se a cidade é construída para os automóveis, o cidadão também vai querer poder usufruir dessa infraestrutura, que é, via de regra, mais “confortável” que as outras opções de deslocamento disponíveis. 

Dentro do nosso exercício de futurologia, precisamos imaginar áreas com velocidades baixas; calçadas largas, arborizadas e agradáveis de caminhar; ciclovias e ciclofaixas, vias com pinturas revitalizadas e grandes faixas de pedestres; praças verdes e iluminadas; além de um espaço urbano adequado para pessoas com mobilidade reduzida. Devolver espaço para as pessoas é uma decisão política.

São intervenções relativamente simples, que podem ser realizadas em âmbito local, com recursos baixos se comparados aos custos dos congestionamentos e dos chamados “acidentes” de trânsito.  Quando o espaço do pedestre, do ciclista, dos passageiros de ônibus for mais valorizado, o desejo por ocupar esse espaço público que se torna nobre também virá.  Ao realizar essas intervenções, não estaremos mudando vias, mas sim vidas. 

*diretor-geral do Detran/RS 


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